Afinal, terapia hormonal na menopausa causa câncer de mama?

Polêmicas e mitos cercam o tema câncer de mama e reposição hormonal em mulheres menopausadas.
Para elucidar o tema uma revisão publicada por Hodis e Sarrel 2018, do estudo WHI (sigla para Iniciativa da saúde feminina) concluiu mque não há nenhuma evidência de que a terapia de reposição hormonal (TRH) na menopausa, que utiliza a associação de estrogênio equino conjugado sem oposição (CEE, sigla em inglês) ou combinada com o acetato de medroxiprogesterona (MPA, sigla em inglês), seria capaz de causar câncer de mama.

A revisão demonstra na verdade que a associação CEE+MPA no estudo WHI, tem efeito nulo sobre a ocorrência do câncer de mama. Além disso, o estrogênio administrado sozinho, como em alguns ensaios clínicos randomizados, incluindo o ensaio clínico de CEE do WHI, possivelmente previne o desenvolvimento de câncer de mama e a mortalidade causada por ele.

O teste de CEE+MPA do WHI claramente demonstra que as mulheres que nunca utilizaram terapia hormonal, e que iniciaram a terapia com CEE+MPA, não têm aumento de risco de câncer de mama. Também pode ser notado que os 8 casos de cânceres de mama adicionais/10.000 mulheres/ano associados a terapia de CEE+MPA relatados em toda a coorte de estudos de CEE + MPA do WHI e os 4 cânceres de mama adicionais/10.000 mulheres/ano de terapia de CEE + MPA no subgrupo de pacientes mulheres que nunca utilizaram TRH são raras e semelhantes ou inferiores ao risco de câncer de mama associado a uma série de outros fatores, incluindo: obesidade, baixa atividade física, beber menos de 2 taças de vinho diárias, ser comissário de bordo, e medicações comumente usadas.Discuta com seu médico sobre o tema de reposição hormonal, seus riscos e seus INÚMEROS benefícios.

Referência bibliográfica: H. N. Hodis & P. M. Sarrel (2018): Menopausal hormone therapy and breast cancer: what is the evidence from randomized trials?, Climacteric, DOI:10.1080/13697137.2018.1514008

Proteínas – Aliadas na redução do peso e da inflamação corporal

Já sabemos do efeito termogênico e emagrecedor da dieta rica em proteínas, mas será que a perda de peso decorrente desse tipo de dieta tem impacto nos marcadores inflamatórios nos idosos obesos?

Para responder a essa pergunta, foi feita pesquisa na Universidade de Duke, nos EUA e a resposta foi que sim, existe uma relação positiva!
Essa pesquisa comparou os níveis de marcadores inflamatórios em dois grupos de idosos obesos (IMC > 30) submetidos a uma dieta hipocalórica durante 6 meses objetivando perda de peso. O grupo controle recebeu uma dieta 0,8g/kg/d de proteína e o outro grupo uma dieta >30g de proteína em duas a 3 refeições por dia e equivalente a 1,2g/kg/d de proteína.

Em ambos os grupos houve redução significativa do peso corporal, e no grupo submetido à dieta hiperproteica houve, porém, melhora dos marcadores inflamatórios como adiponectina, leptina, hs-CRP (proteína C-reativa), ICAM-1 (molécula de adesão intercelular-1) e VCAM-1 (molécula de adesão celular-1).

As dieta ricas em proteína favorecem a perda de peso e sua manutenção através de vários mecanismos que incluem o aumento dos hormônios de saciedade, peptídeo YY e peptídeo semelhante ao glucagon, ao aumento da termogênese pós-prandial e em repouso. Além disso, estudos de curto prazo mostraram uma preservação de massa magra com dietas hipocalóricas ricas em proteínas, comparadas com aquelas com proteína no nível recomendado da dieta.

Referência Bibliográfica: PORTER STARR, K. N. et. al. Influence of Weight Reduction and Enhanced Protein Intake on Biomarkers of Inflammation in Older Adults with Obesity. Journal of Nutrition in Gerontology and Geriatrics. V. n. 38, p. 33-49. Feb., 2019.

Como o álcool provoca o aparecimento do Câncer?

Uma revisão da IARC também invocou mecanismos que incluíram estresse oxidativo, hormônios sexuais, metabolismo do folato, e metilação do DNA, bem como cirrose para carcinoma hepatocelular. O estresse oxidativo induzido por álcool, via CYP2E1, por exemplo, pode resultar em uma inflamação crônica dos tecidos.

Além disso o consumo de álcool afeta as concentrações de circulação de andrógenos e estrógenos, o que é um caminho de uma relevância particular de câncer de mama; e também está associado com queda dos níveis de ácido fólico no corpo -uma relação que já comprovadamente ligada ao aparecimento p.ex do câncer de cólon.

Referência bibliográfica: K. LOCONTE, N. et al. Alcohol and Cancer: A Statement of the American Society of Clinical Oncology. Journal of Clinical Oncology. V. n. 1, p. 83-93. Jan., 2018.

Álcool, cigarro e câncer – Um trio inseparável

Diversos estudos observacionais mostram a interação sinérgica entre álcool, fumo e o aparecimento de diversos tipos de Câncer, em especial os do trato digestivo e das vias aéreas.

Uma publicação recente da American Society of Clinical Oncology demonstrou uma forte associação entre o consumo de álcool e cigarro com cânceres da cavidade oral, faringe e laringe e esôfago. Apesar da clara interação sinérgica, as bases biológicas entre consumo de álcool e cigarro com o aparecimento de câncer ainda não são bem entendidas.

Referência bibliográfica: K. LOCONTE, N. et al. Alcohol and Cancer: A Statement of the American Society of Clinical Oncology. Journal of Clinical Oncology. V. n. 1, p. 83-93. Jan., 2018.

Reposição de Testosterona transdérmica e risco de câncer de mama nas mulheres!

Para tratar o transtorno do desejo sexual hipoativo (DSH), a famosa queda de libido, condição comum em mulheres de meia-idade que estão ou já passaram da menopausa, uma opção é o uso da testosterona transdérmica (TD).

No entanto, devido a possibilidade dessa testosterona ser convertida no corpo em estrogênios, no processo conhecido como aromatização, é questionado se seu uso pode aumentar o risco de aparecimento de câncer de mama nas mulheres.

Para responder a essa pergunta, um levantamento bibliográfico feito por Ritika e col concluiu que a reposição de TD em mulheres menopausadas, feito em diversos estudos, não aumentou o risco de câncer de mama.

Recomenda-se monitorar os níveis de estradiol sérico durante o tratamento com TD para minimizar os riscos e garantir a segurança do tratamento.

Referência bibliográfica: GERA, Ritika et. al. Does Transdermal Testosterone Increase the Risk of Developing Breast Cancer? A Systematic Review. International Journal of Cancer Research and Treatment, 2018. Vol. 38, no. 12. doi: 10.21873/anticanres.13028